Futebol do Rio cresce

Publicado  quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Com quatro times entre os seis primeiros do Brasileirão, Patrícia acredita que o futebol do Rio está vivendo um momento diferente - de parceria entre os clubes fora do campo. Diz que a prefeitura está ajudando a viabilizar a construção de centros de treinamento para os outros três grandes.
- Nisso estamos um pouco na frente porque já temos o CT. O Fluminense está vendo o Banana Golf. O Vasco quer um terreno no Rio das Pedras, que tem que ser desapropriado. O Botafogo pensava ao lado do Engenhão - agora não sei se mudou. Mas o clima entre os presidentes está muito bom. Assisti ao show do Paul McCartney com o Maurício (Assumpção, presidente do Botafogo) e com o Roberto (Dinamite, presidente do Vasco), no Engenhão. E fica sempre um constrangimento sempre nos cinco primeiros minutos. Roberto ganhou a eleição e tinha um jogo no dia seguinte, aí liguei para dar parabéns. Ele me falou: “Está ligando para isso ou para secar?” Eu disse: “Se funcionar, já valeu a ligação”. É uma convivência muito boa. Com o Maurício eu falo mais. O Peter (Siemsen, presidente do Fluminense), quando era candidato, falei para ele parar de ficar me ligando e porque perderia a eleição. Imagina se ele é visto com a presidente do Flamengo? Ele é muito agitado, preocupado. Dele hoje estou mais distante. 
Patrícia diz também que o único clube que não antecipou as cotas do novo contrato de TV foi o Flamengo - mas admite que antecipá-las é quase inevitável. A presidente ainda tem um ano e três meses de mandato, mas mira alto. 
- Somos campeões mundiais de remo, ginástica, natação. Mas o (César) Cielo não foi formado aqui, nem a Fabiana (Beltrame, remadora). Já Diego e Daniele (Hypolito), sim. E já se faz uma associação. Você traz esses grandes atletas e começa a formar de novo. Não quero ser campeã só no futebol. Lá... temos que fazer o que diz o Vanderlei: ficar três, quatro, cinco anos na Libertadores. Se acostumar a jogar igual ao São Paulo fez. 
A dirigente não se assume como candidata à reeleição - muito porque sabe que, no caldeirão da Gávea, é cedo para abrir flancos. Diz que a única promessa que fez foi "entregar o Flamengo melhor que encontrei". E acha que essa promessa já foi cumprida.  Mas certamente até 31 de dezembro de 2012 outras crises virão. No Flamengo, a piada de ontem é a verdade de hoje: um flato ocasional vira manchete. Tudo é super-dimensionado. Entre Obama e o Afeganistão, Patrícia Amorim tem ainda 14 meses de mandato - e a cadeirinha velha diante da Lagoa. 
- É aqui que eu venho, sento, penso, choro. Já chorei muito sentada nessa cadeira... com essa vista. E tenho escrito memórias - um livro - não posso deixar passar isso. Não é pra vender - é pra mim mesma. É um diário, mas é engraçado até: só consegui escrever sobre os problemas do ano passado agora, quando a fase ficou ruim de novo. 
Ali, sozinha, no refúgio diante da paisagem, a presidente, executiva, vereadora e super-mãe Patrícia Amorim tem um pouquinho de menina. Uma menina carregando 35 milhões de sonhos.

Fonte : globo.com

A solidão na cadeirinha da Lagoa: Patrícia, a mulher de 35 milhões

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O corredor algo estreito entre paredes foscas leva a uma antessala também estreita. Na pequena saleta, há apenas uma mesa, uma cadeira e uma porta cinzenta fechada. Acima da porta, uma lâmpada vermelha. Com a lâmpada acesa, ninguém pode entrar na sala que a porta protege. À direita da lâmpada, um porta-retratos pendurado na parede traz uma fotografia em que duas pessoas sorriem e seguram uma camisa rubro-negra: uma é o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A outra trabalha atrás da porta cinzenta - a presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Patrícia Amorim.
A luz vermelha é a última linha de defesa de Patrícia Filler Amorim. Com ela acesa, ninguém pode abrir a porta e entrar no gabinete presidencial - uma sala grande com uma mesa de madeira, uma escrivaninha e uma estante. Patrícia se senta na escrivaninha, de costas para os janelões, instalados sobre roldanas, que separam o gabinete de uma varanda debruçada sobre o espelho d'água da Lagoa Rodrigo de Freitas. Protegida por corredores labirínticos e cercada por uma paisagem de cartão postal, Patrícia comanda o destino de 9 mil sócios... e os sonhos de 35 milhões de torcedores. 

Num canto da ampla varanda, quase no parapeito, com vista para o Cristo Redentor e para o Estádio de Remo da Lagoa, se esconde uma cadeira velha com forro marrom carcomido. Ali, no assento humilde e algo improvisado, com uma vista de derrubar queixo, é que Patrícia se refugia.
- Essa é minha cadeira. É nela que me sento quando tenho que pensar e até chorar. Esse é meu refúgio nos momentos difíceis.
E na cadeira de presidente do Flamengo momentos difíceis nunca faltam. Patrícia se tornou a primeira mulher a presidir o clube pouco depois da conquista do título brasileiro de 2009. No clube de futebol mais popular do país, onde toda calmaria parece véspera de tempestade, a mandatária parece enfrentar uma crise por semana. Em 2010, passou pelo caso Bruno, pelas confusões de Adriano Imperador, pelo acerto e pelo desacerto com Zico , tudo temperado pela briga contra o rebaixamento. Em 2011, a sina parecia ter virado: Ronaldinho Gaúcho foi contratado, o clube foi campeão carioca invicto e fazia excelente campanha no Brasileirão. De repente, o time parou de ganhar... e as nuvens voltaram. Voltou a ganhar - e uma crise surgiu dentro do departamento de futebol... do nada. 
- O Flamengo é assim. Ebulição constante.
Bota ebulição nisso. Com nove mil sócios, o clube teve seis candidatos nas últimas eleições. E pouca gente vota. Patrícia ganhou com 792 votos de 2,4 mil possíveis - superando o segundo colocado (Delair Dumbrosck) por meros 93 sufrágios. Pouco depois, ela definiu as correntes do clube como "quase um Afeganistão". Quando o futebol vai mal - a cadeira presidencial esquenta. Agosto varou setembro e o time ficou dez rodadas sem vencer. Os ânimos se exaltaram, um conselheiro agrediu outro na sede... e o ex-presidente Márcio Braga desceu a mamona com força na gestão Patrícia - chamando-a de inepta pra baixo. A presidente acusou o golpe - e respondeu com um carrinho no peito.
- Quando eu rodo a baiana é duro, pois eu causo mágoa, vou no coração, falo o que tenho que falar - diz.
Mãe, executiva, vereadora
Patrícia ficou fora de si diante das críticas de Márcio, de quem foi aliada e vice-presidente no passado. As relações rubro-negras são complexas e complicadas - há grupos que se apoiam e trocam de lado constantemente. 
- O Flamengo tem seis ex-presidentes vivos... e atuantes. Não é para principiantes - diz um ex-dirigente do clube. 
Apesar da resposta irritada para Márcio, Patrícia costuma pensar antes de falar. Até porque toda crise rubro-negra começa dentro de casa. Casada com o economista Fernando Sihman, Patrícia tem quatro filhos: Vítor, de 14 anos, os gêmeos Ricardo e Daniel (de nove) e o caçula Leonardo - de cinco. Foi Leonardo que, no auge da crise, procurou a mãe e disse:
- Mãe, você tem que fazer alguma coisa. As pessoas vão fazer "uuuuuuh" pra você.

 

Patrícia riu e absorveu. Mãe, mulher, executiva. Essa vida tripla - ou quádrupla - não é pra qualquer uma. Além de presidente do Flamengo, ela é vereadora na Câmara Municipal do Rio (há 11 anos - já foi reeleita três vezes). Nos dias de semana, acorda geralmente às 5h30m, prepara Vitor para ir à aula e - se der tempo - caminha pelas alamedas da Península, condomínio encravado na Barra da Tijuca - na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nadar? Não mais.
- Minha cota de natação já deu.

O marido, Fernando Sihman, é seu principal suporte - mas também se transforma em alvo no clube.  Marcio Braga disse que Sihman teria ligações com José Carlos Peruano (o  torcedor que agrediu o conselheiro Arthur Muhlemberg  - e blogueiro-torcedor do GLOBOESPORTE.COM - no mês passado - ofuscando o lançamento da terceira camisa do clube). Patrícia cobrou provas. Os adversários dizem que Fernando influi demais na gestão da mulher - mas a crítica principal é outra: Fernando é - ou foi - torcedor do Fluminense:
- Ele era tricolor, mas quando casou comigo melhorou - diz Patrícia - Mas se a crítica é essa -  falar do meu marido - é porque estou bem. Devo muito a ele e só estou aqui por causa dele, que está sendo pai e mãe. Ele era do mercado financeiro e abriu mão de muita coisa, invertemos alguns papéis. 
Fernando diz que a vida do casal mudou, mas que não chega a ser uma inversão de papel. E diz que, naturalmente, ajuda a mulher:
- Talvez eu ajude na parte operacional ou estrutural. Mas ela tem uma capacidade enorme de liderança. Tem sensibilidade e capacidade de se relacionar. Claro que a vida em família mudou, mas nunca vi ninguém tão alto astral quanto a Patrícia. Tenho orgulho de ser casado com ela desde 1994. Aliás, se eu esquecer a data... ela me mata.
Com filhos rubro-negros, a cobrança começa em casa. E é uma cobrança diferente - sobre a mãe que deixou de ser mãe.
- Eu estar aqui vira desculpa para muita coisa. Outro dia o mais velho tirou uma nota horrível, ficou de recuperação, e a culpa é...  minha porque eu só penso em Flamengo?  Brigo com meu marido todo dia. O Flamengo toma conta do caminho no carro, em casa. Estou num momento com os vice-presidentes, ele chega em outro clima e aí vira discussão.  Meu filho participou da Olimpíada de Matemática e eu não estudei com ele. Fico brincando que não tenho estrutura para ter filho inteligente. Não tenho porque nunca fui. Hoje não acompanho tanto as coisas - mas vou a todas as reuniões de colégio deles.

Mulher e executiva num mundo predominantemente masculino, Patrícia tem que lidar cotidianamente com o preconceito. E com a óbvia comparaçao com outra executiva - a presidente do país - Dilma Rousseff.
- A Dilma é mais fechada, eu sou mais alegre. Mas quando pisam no meu calo... eu assusto as pessoas. Me surpreendi muito comigo mesma. Fico achando que estou me tornando uma pessoa ruim. Tenho paciência para momentos difíceis, mas acontecem uns negócios assim que realmente... 
Patrícia saltou das piscinas para a vida pública em 2000, e sempre teve o Flamengo como marca e bandeira como vereadora. Foi eleita fazendo campanha junto à torcida do clube  e, dois anos atrás, juntou forças políticas para vencer os candidatos de ex-presidentes como Márcio Braga e Kléber Leite. Venceu com a promessa de governar mirando alto, mas também olhando pra dentro.

Por isso, o governo Patrícia tem sido marcado por obras na estrutura do clube - obras, claro, que não chegam a atrapalhar na próxima eleição (em dezembro de 2012). Patrícia é política e desconversa quando perguntada sobre um segundo mandato. Mas tocando reformas quase como uma obsessão é natural que a plataforma reeleitoral se reforce. Patrícia, porém, diz que as mudanças eram inevitáveis - pois encontrou um clube em estado lastimável:
- Vou contar uma história que aconteceu no meu primeiro ou segundo dia de mandato. Um jornal pediu e subimos para tirar uma foto no ponto mais alto do clube, lá em cima da sede social. Quando chegamos lá em cima no terraço... tinha um cara de cueca tomando banho num chuveirinho. Eu tomei um susto mas, assim que chegamos, ele disse: "Por favor, fiquem à vontade, só estou tomando meu banho". Era funcionário de uma empresa de manutenção de elevadores. O Flamengo não tinha pago à empresa e, por isso, tinha deixado o cara morar ali. Tinha até geladeira na casinha dele! E ele disse para eu, a presidente do clube, ficar à vontade...
O exemplo é apenas o primeiro numa vasta lista de "malfeitorias" pretéritas que a presidente exibe. A preocupação em mostrar a mudança é tanta que o vice-presidente do Fla Gávea, Cacau Cotta, tem uma apresentação em Power Point com um ANTES/DEPOIS do governo Patrícia. As imagens impressionam pelo desleixo anterior - banheiros mal-conservados, ranhuras, paredes descasacadas, quadras alagadas etc.
- A diferença entre o que encontramos e agora é muito grande. Estamos fazendo muita coisa - diz Cacau.
-  Estamos fazendo obra no clube inteiro - parquinho para crianças, reforma na arquibancada, novo campo de futsal, de futebol society. Obra na piscina, refeitório para funcionários, salários em dia, reforma dos bares. E tudo isso com o mesmo orçamento do passado. Por que não faziam antes? Não sei - ataca Patrícia. 
Rosto conhecido
Como nadadora e vereadora, Patrícia já era um rosto relativamente conhecido. Mas ao sentar na mais alta cadeira rubro-negra galgou parâmetros na categoria celebridade. Virou alvo ocasional de paparazzi - e saiu até no New York Times. O reconhecimento, claro, tem dois gumes:
- É todo dia, toda hora na rua. Mas.. nessa fase atual eles não são tão simpáticos. As pessoas, seja qual for a classe social, se acham íntimas, e chegam rasgando - vão de carrinho mesmo. Mas eu tenho bom humor, não finjo que não estou ouvindo. Só não vou mais ao supermercado. No ano passado, um cara pulou na minha frente e gritou: "Patricia vai tomar no...". Fiquei assustada. Pensei que ele fosse me dar um soco. Falei com calma ‘"poxa, deixa disso, para com isso"... e o cara saiu andando. A única coisa que acho importante é que encaro, escuto. Se você quiser falar alguma coisa, vou escutar durante horas. Mas depois você vai ter que me escutar.
O lado bom existe, nem que valha receber um tênis lançado no rosto:
- Vem o torcedor e fala: "você tem que tirar não sei quem, tem que trazer o Adriano, o Vagner Love...". Sempre tem isso. Eu gostaria muito de trazer, mas não temos o dinheiro. Eu dou satisfação. Também tem muita coisa legal. No intervalo de Flamengo e Vasco, eu encostei na grade do camarote do Engenhão. Começaram a gritar "Patricia, Patricia". Eu pensei: "não é possível, vão me xingar". Aí um cara olhou e pediu um autógrafo. Ele amarrou a camisa num tênis e jogou. Acertou... na minha cara! O tênis pegou na minha cara! Todo mundo riu. E doeu. Mas não perdi a esportiva. Assinei e mandei de volta.
e terça a quinta, Patrícia chega ao Flamengo, em geral, às 10h30m da manhã. Dá expediente até 13h30m, sai para o almoço e depois segue para a Câmara dos Vereadores - no Centro. Quando há sessão, ela costuma voltar à Gávea às 18h. Senão volta antes - ali pelas 16h30 - e fica no clube até depois das 21h. Nas segundas e sextas, como não há sessão na câmara municipal, ela entra mais tarde. E, não raro, deixa o Flamengo depois das 23h. Isso sem falar nos dias de jogo.
- O futebol é muito intenso. Eu assisto aos jogos tensa, tomo remédio antes, fico com o pescoço duro para aguentar. Acho muito ruim, antes tinha prazer de ir ao jogo. Hoje, mesmo ganhando o negócio não acaba. Tenho que saber o que o Vanderlei falou na entrevista coletiva, qual desdobramento. Às vezes, vencer, a situação de conforto, é pior. Aí começa história de prêmio atrasado, pois eles têm o palco para falar. No momento ruim, todo mundo se fecha. É muito difícil. Eu choro muito.
Ao lado das pequenas xícaras de café com escudo do Flamengo sobre sua mesa, Patrícia manuseia um calhamaço de papel - para não esquecer do que chamou de "lambanças" da gestão anterior:
-  No primeiro mês, quando cheguei à concentração onde moram 30 meninos (no Ninho do Urubu) saí deprimida. Só tinha campo, vestiário e a sala de musculação. A concentração dos meninos me deixou estupefata. Como as pessoas podiam não ser sensíveis a aquilo? Tudo cheio de mosca, geladeira enferrujada, janelas de favela, sem cortinas, penduravam as coisas numa casa velha com cheiro ruim. Pensei - poxa, o Flamengo tem uma porção de produtos licenciados - roupas de cama, banho, talher - e lá não tinha nada. Pegamos dois caminhões e levamos as coisas básicas para a concentração.  
Obras e reformas à parte, a grande vitória da gestão Patrícia, até o momento, tem nome e sobrenome: Ronaldo Assis Moreira. A contratação de Ronaldinho foi uma virada - jogou Bruno, a crise com Zico e as dificuldades de 2010 para trás. Tanto que na escrivaninha da presidente repousa um porta-retratos com uma foto de Ronaldinho ao lado de sua mãe - dona Miguelina, e da própria Patrícia. A presidente sorri ao lembrar da contratação:
- Num espaço de 10 dias, a gente ganhou a Copa São Paulo de juniores, o Ronaldinho chegou com o Thiago Neves e conseguimos o reconhecimento do título de 1987. Essa era uma obsessão.
Mas essa obsessão prossegue. A CBF cassou logo depois - instada pela Justiça - o título rubro-negro. Patrícia garante que a história não terminou - e que a luta política nos bastidores prossegue:
- Trabalho muito. Fui à Suíça, tenho uma foto na porta da Fifa e coloquei uma camisa do Flamengo na letra I. Deve ter câmeras, mas ninguém pediu para tirar.
O pior momento de sua gestão, por outro lado, se deu junto ao maior ídolo rubro-negro. Depois de cinco meses como diretor executivo de futebol, Zico deixou o clube e hoje se diz distante do Flamengo. Para opositores, o ídolo foi destratado. Na semana em que Zico falou, Patrícia estava chateada:
- Acho que o Zico falar que nada presta não foi legal, pois os amigos dele estão aqui e alguns ele que trouxe para cá. Isso caiu muito mal. O Cantarelle ele trouxe, o Jaime foi indicação do Júnior... Sou política, ele xinga e não levo para o lado pessoal. Mas não vou mudar meu trabalho em função de ele estar xingando. Quero também que ele tenha outra avaliação.
A dirigente diz que não falou com Zico depois da saída dele do clube. Mas faz um afago: lembra que, em 29 de julho, quando se completaram 40 anos de filiação do craque ao Flamengo, fez questão de enviar uma camisa e uma carta oficial ao ídolo. Zico recebeu a carta - e pediu para seu advogado redigir um agradecimento como resposta. Perguntado sobre Patrícia para esta reportagem, o ídolo rubro-negro preferiu o silêncio. A verdade é que a relação entre os dois azedou de vez.
Fonte : globo.com


Sonnen diz amar Brasil e ter casa no Rio, mas cutuca Anderson: 'sou palmeirense'

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Chael Sonnen é odiado pelos brasileiros, a ponto de ter vetada sua vinda ao país para o UFC Rio, em agosto. Não é para menos, após o falastrão lutador detonar Anderson Silva, Vitor Belfort e Wanderlei Silva, entre outros. Voltando de doping neste sábado, no UFC 136, o norte-americano falou com o UOL Esporte em Houston e, com um discurso dúbio, disse que apenas fala o que pensa, mas também entregou que há uma boa dose de marketing em suas polêmicas, justificando a intriga com o Brasil.

O norte-americano, que diz ter uma casa de férias no Rio, admitiu que suas palavras contra os brasileiros são uma forma exclusiva de conseguir uma revanche com Anderson. “Amo o Brasil, mas se eu tiver que incitar uma cidade ou um país inteiro para que ele lute, eu o farei”, esclareceu, em um momento de fala aparentemente verdadeira, no meio de declarações polêmicas e um tanto duvidosas.
Contundente e hábil com as palavras – como se vê em suas coletivas – Sonnen recebeu a reportagem em uma sala nobre do Toyota Center, casa do Houston Rockets, da NBA, onde enfrenta o compatriota Brian Stann. Salientando olhar nos olhos de seus entrevistadores, afirmou que apenas é honesto em suas palavras, “esquecendo” todo o marketing sobre uma luta com o Aranha.
A briga com Anderson, inclusive, ganhou novo capítulo. Agora está até no futebol. Ao ficar sabendo por integrantes da imprensa brasileira que o Palmeiras é o arquirrival do Corinthians, que patrocina Anderson, é claro que Sonnen não perdeu tempo e rapidamente se assumiu como mais novo torcedor alviverde. Confira a entrevista, em que ele abandonou a frieza das últimas semanas e voltou ao ataque:
Chael, você chegou um pouco menos controverso a este combate, sem tantas declarações polêmicas como se espera. Foi algo planejado?
Eu lido com todas as pessoas da mesma forma. Respondo às perguntas da forma mais honesta que posso. Se eu não achasse as coisas que falo, simplesmente não diria. Eu não paro para pensar nisso, não são coisas manufaturadas. Olho o entrevistador nos olhos e respondo o que sinto. Não construo conflitos, não minto que tenho um problema com Brian Stann, se não tenho. Eu também não vou mentir que não tenho um problema com Anderson Silva ou quem quer que seja, se é claro que tenho.
Mas você fez grandes críticas em relação ao Brasil há pouco tempo. Foi tudo real?
Eu amo o Brasil, é um país ótimo. Eu tenho uma casa de férias no Rio, que visito a cada seis meses. Eu só podia comprar uma casa em um lugar do mundo, e escolhi o Brasil! Mas, ao mesmo tempo, é o que digo: se você quer fazer uma omelete, precisa quebrar alguns ovos. Eu vejo uma nação inteira apoiando um cara que para mim não passa de um covarde, que fugiu de mim por seis anos e ainda está fugindo. Vou continuar provocando, e não vou me desculpar por isso.
Você está falando de Anderson Silva?
Anderson diz que quer as maiores lutas, mas não há nenhuma tão grande como esta revanche. E ele não a quer. Eu peço por esta luta todos os dias. Não é diferente do que era quando eu ainda era criança: quando alguém fala certas coisas de você, resolve-se em uma luta. E ele não quer. Se eu tiver que incitar uma cidade ou um país inteiro para que ele lute, eu o farei.
E sobre os outros lutadores que você costuma bater boca via imprensa e Twitter, como os brasileiros Vitor Belfort e Wanderlei Silva?
Wanderlei e eu nunca lutaremos. Não tenho essa intenção. Mas deixe me dizer, eu acho interessante que você os chama de lutadores brasileiros. Eles vivem em Las Vegas, falam inglês, colocam seus filhos em nossas escolas e só clamam pelo Brasil quando é conveniente a eles. Então, eu acho isso interessante. Eu fui mais vezes ao Brasil no último ano que eles, gastei mais dinheiro no seu país que eles. Mas, geograficamente é uma pura coincidência que eu troque palavras com estes três caras [Vitor, Wanderlei e Anderson].
Você falou que tem uma casa no Rio. Você vem para treinar ou de férias?
Eu só descanso quando vou ao Brasil, é apenas para as férias. Finjo que sei surfar - mas não sei... Na verdade, eu gosto mesmo é de fazer o “body surfing” [em português, o famoso jacaré, em que se pega a onda sem prancha, apenas se jogando nela]. É divertido, mas não precisa de técnica alguma (risos). Eu moro no Oregon, onde só chove e ninguém surfa, mas adoro ir para o Brasil e fingir que sou um surfista.
Você já assistiu a algum jogo de futebol no Rio? Já adotou um time para torce?
Nunca fui assistir, mas todos me perguntam. Mas o meu time favorito no Brasil é o Palmeiras. Eu ouvi alguma coisa aqui e ali deles e passei a gostar desse time (risos). Diga um alô para eles, por mim! (mais risos)
Falando mais diretamente sobre a luta de sábado, como você está encarando esta volta após mais de um ano, contra um rival duro como Brian Stann?
Não sei descrever a emoção. Em todas as lutas existe uma combinação que vai de medo a ansiedade, de pressão a alívio. Mas é sempre algo único. Na verdade, eu estou encarando neste momento uma outra luta, que é a de sexta-feira, contra a balança. Falo por todos os lutadores, temos sempre de vencer esse desafio. Então, estou sendo egoísta e só penso em mim mesmo, para em seguida focar na luta.
Como foi este período que ficou afastado dos combates. Você ficou parado?
Eu não estava treinando, mas continuei mantendo a minha forma física diariamente. São coisas diferentes. Muita gente entra na academia e acha que está treinando, mas treinar realmente para um combate requer um nível mental e físico totalmente diferente. Você não pode fingir que tem um oponente e uma data, e ir para o tatame deste jeito. Então foi difícil ficar sem isso e depois pular de novo para este mundo para a luta contra Stann. Mas tenho um ótimo time, grandes técnicos e fizemos tudo o que podíamos enquanto eu não podia lutar.

Fonte : uol.com.br




Kleber coleciona polêmicas, lesões e jejum de gols um turno após "caso Flamengo"

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Kleber foi o pivô da maior crise do Palmeiras na temporada ao receber uma proposta do Flamengo que abalou o clube. Quem pensava que o problema era passageiro, se enganou. Ao completar um turno do acontecimento, o Gladiador caiu de rendimento dentro e fora de campo, já que passa por jejum de gols e colecionou ainda mais polêmicas.
O ápice da crise foi justamente no jogo contra o Santos do primeiro turno, em 10 de julho. Na ocasião, o departamento médico do Palmeiras garantiu que o atacante tinha plenas condições de entrar em campo, mas ele alegou dores no joelho, deixou a concentração e realizou um exame por conta própria no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para comprovar a lesão. Depois, disparou contra a diretoria e o vice de futebol Roberto Frizzo a quem chamou até de mau caráter.
Frizzo pôs panos quentes e tudo parecia voltar ao normal no Palestra Itália. Mas o inferno astral do jogador estava apenas começando. Desde então, ele atuou em 12 dos 19 jogos disputados e não marcou um gol sequer. Ainda sofreu com três lesões que o tiraram de quatro partidas e duas suspensões por cartões amarelos.
Após toda a polêmica contra o time da baixada em julho, Kleber voltou contra o Flamengo, mas ficou fora novamente na derrota por 3 a 1 para o Botafogo, em 31 de agosto, e no empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, em 4 de setembro, por causa de uma pancada no joelho direito. Menos de um mês depois, voltou a ser desfalque vítima de uma tendinite no joelho esquerdo e ainda não tem participação garantida no clássico na Vila Belmiro.
Pior que os problemas físicos é o mau momento técnico. Apesar de ser a maior estrela ao lado de Marcos, Kleber deixou de ser protagonista do time e viu coadjuvantes como Marcos Assunção e Luan ganharem destaque. O Gladiador não balança as redes pelo Brasileiro desde 19 de junho e vem sendo criticado pela má fase. A torcida que ainda o tem como ídolo chegou a fazer um protesto na porta de sua casa e a pichar o muro do Palestra Itália pedindo a sua saída.
O atacante se recusa a admitir que está em má fase e joga a responsabilidade nos companheiros com frequência. Por pelo menos três vezes, fez críticas abertas ao setor de criação e reclamou que a bola não chegava com qualidade. O ápice foi no empate por 1 a 1 contra o Atlético-GO. Kleber voltou a ser duro e chegou a dizer que deveria haver mudanças. Deola cutucou o colega e disse que os problemas deveriam ser discutidos abertamente. O entrevero foi um dos principais responsáveis pela determinação da Lei do Silêncio no clube na semana passada.
De fato, polêmicas não faltaram para o atacante neste turno. Após a discussão com Frizzo por causa da proposta do Flamengo, ele voltou a jogar e completou seu sétimo jogo pelo Brasileirão justamente contra o time rubro-negro. Ao não devolver a bola em uma jogada, ele ignorou o tradicional fair play e seguiu a jogada em direção ao gol. O fato gerou um tumulto e Kleber chegou a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por ato de indisciplina ou que fere a ética, sem ser punido.
Uma grande polêmica ainda veio à tona nas vésperas da partida do clássico contra o Corinthians, em 28 de agosto. A Gaviões da Fiel divulgou uma ficha de inscrição do Gladiador na maior organizada do arquirrival com data de 2001, época em que atuava no São Paulo. O fato teve grande repercussão e ele chegou a admitir que frequentava a torcida.

Fonte : uol.com.br

Brasileiras dão baile na Argentina e faturam o Sul-Americano pela 17ª vez

Publicado  segunda-feira, 3 de outubro de 2011


A missão principal já tinha sido cumprida, mas a soberania no Sul-Americano estava ali, pedindo para ser aumentada mais um pouquinho. Neste domingo, um dia depois de se garantir na Copa do Mundo do Japão, a seleção brasileira feminina de vôlei disputou a final do Sul-Americano, em Lima. Com grandes atuações de Jaqueline e Sheilla, deu um baile na Argentina, venceu por 3 sets a 0 (25/10, 25/7 e 25/17) e conquistou o troféu pela 17ª vez, a décima seguida. Uma campanha invicta, sem perder um set sequer.
- Não é só a felicidade de ter vencido, mas a forma como foi. A seriedade com que as argentinas jogaram foi a coisa mais legal que vi nesse campeonato - disse o técnico José Roberto Guimarães.

A medalha de bronze ficou com o Peru, que superou a Colômbia por 3 sets a 1 (25/23, 25/22, 23/25 e 25/22).
O próximo desafio da equipe brasileira será daqui a duas semanas, em Guadalajara. A seleção campeã olímpica buscará o ouro nos Jogos Pan-Americanos, título que escapou em 2007, no Rio de Janeiro, diante de Cuba. No México, a seleção voltará a ter Paula Pequeno e Natália.
No Sul-Americano, o Brasil é soberano. Em 29 edições, além dos 17 títulos, conquistou a prata 11 vezes. Em 1964 o time não competiu.
Na edição peruana, em Lima, a meta era se classificar à Copa do Mundo, campeonato que carimbará o passaporte de três seleções às Olimpíadas de Londres-2012. E a vaga para competir no Japão em novembro veio com a vitória sobre a Colômbia, único time que conseguiu marcar 20 pontos em um set contra o Brasil.
Contra a Argentina, um jogo com pouca cara de final. Na primeira fase, a vitória brasileira tinha sido por 3 sets 0 (25/19, 25/10 e 25/8).
No primeiro set deste domingo, as hermanas pecavam na recepção. Antes da primeira parada técnica, Sheilla deixou o time com cinco pontos de vantagem (8 a 3). O técnico José Roberto Guimarães, perfeccionista, pedia ajustes técnicos. E orientava Dani Lins, que passou a acionar bem Jaqueline e Thaisa. Na segunda parada, a seleção estava nove pontos à frente. A diferença chegou a 14 duas vezes antes de Jaque fechar em 25 a 10, com um saque.
A segunda parcial também começou tranquila. O Brasil abriu 5 a 1, e Jaque marcou seu oitavo de seus 14 pontos na partida antes da parada-técnica, em 8 a 4. Sheilla, que tinha errado duas bolas no início do set, se redimiu com quatro pontos de ace. Com ela no saque, a vantagem brasileira chegou a 13 pontos: 17 a 4. E só então a Argentina voltou a pontuar, duas vezes. Jaque foi para o saque e não saiu mais até o set point, em 24 a 6, com um bloqueio de Fabiana. Após um longo rali, as argentinas salvaram o ponto. No seguinte, Dani Lins acionou Mari, que cravou 25 a 7.

A Argentina entrou mais vibrante no terceiro set e até conseguiu marcar seu primeiro ponto de bloqueio na partida (6 a 4 para o Brasil). Três erros seguidos da seleção fizeram as hermanas se animarem. Na segunda parada técnica, a vantagem era de seis pontos (16 a 10), mas Zé Roberto pedia atenção. Deu certo. Numa linda bola de segunda de Dani Lins, o Brasil fez 21 a 12. As argentinas apostaram na bola rápida de meio, arremataram mais quatro pontos, mas as brasileiras chegaram ao match point com um ace de Fabiana. Perderam uma chance de fechar, e Sassá pôs fim ao jogo em 25 a 17.

Fonte : globo.com 

Com marca da vitória na canela, Thiago Neves diz: 'Dei meu sangue'

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A vitória do Flamengo sobre o São Paulo por 2 a 1 no Morumbi deixou marca. E foi conquistada com sangue e suor. As lágrimas não foram necessárias. Autor do primeiro gol do Rubro-Negro neste domingo, Thiago Neves teve que ser substituído por Fierro aos 29 minutos do segundo tempo, depois de sofrer uma entrada de Dagoberto, que deixou grande ferida na canela direita do camisa 7. Mas, com a segunda vitória consecutiva depois de jejum de dez jogos (cinco empates e cinco derrotas), a má fase, enfim, foi cicatrizada.
- Levei um pisão do Dagoberto, mas valeu a pena, dei meu sangue pela vitória (risos). Fizemos por merecer e estragamos a festa na volta do Luis Fabiano. Com o resultado, encostamos nos times da frente e estamos na briga - afirmou Thiago Neves.
O meia desembarcou no Aeroporto Santos Dumont na noite deste domingo com parte da ferida coberta por um curativo. Na canela, a marca da luta. Mas não tinha dor que pudesse esconder a felicidade do jogador. Ao exibir o machucado, o camisa 7 deu um sorriso de canto de boca. Depois da sequência de dez jogos sem vencer, Thiago Neves marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o América-MG, e voltou a balançar a rede contra o São Paulo.
- Esse golzinho foi muito importante para mim - admitiu o jogador.
Thiago Neves tem seis gols no Brasileirão e ajudou o Flamengo a ter o ataque mais positivo da competição, com 44, ao lado do Coritiba. Apesar do machucado, o jogador não será problema para o clássico de domingo, contra o Fluminense, no Engenhão.
Durante a semana passada, Thiago Neves chegou a dizer que se o Flamengo repetisse diante do São Paulo a atuação da vitória por 2 a 1 sobre o América-MG, sairia com a derrota.
- Soubemos nos impor e conseguimos o que era mais importante, que era a vitória – completou.
No domingo, novamente Thiago Neves estará diante do seu ex-clube, o Fluminense. Entre divididas, sangue e hematoma na canela, o jogador terá mais uma chance para chutar a má fase para longe. E, assim, cicatrizar de vez sua relação com o Rubro-Negro.

Fonte : globo.com

Para Júlio César, empate em São Januário 'ficou barato para o Vasco'

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Um empate, fora de casa, que impediu o Vasco de abrir vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro. Para o goleiro Júlio César, o resultado da partida deste sábado, em São Januário, consolidou o Corinthians de vez na disputa pelo título brasileiro. Mas o camisa 1 do Parque São Jorge deixou claro que o 2 a 2 no Rio ficou barato para clube carioca .

Vasco. Fomos superiores na etapa final e poderíamos ter vencido. Sabíamos que o empate seria um bom resultado. Mas, pelo futebol que apresentamos, foi melhor para eles do que para nós. Foi bom para não deixar o adversário disparar e nos consolidar na briga pelo título. O Corinthians sempre cresce na reta final - disse Júlio, classificando o Brasileirão como ainda totalmente indefinido a onze rodadas do fim. 
- O campeonato ainda está aberto. São seis equipes na disputa.
Destaque maior do Corinthians na partida, com um gol e uma assistência, o apoiador Danilo fez coro às palavras do companheiro.
- Foi um resultado importantíssimo, diante de um concorrente direto ao título e ainda por cima na casa deles. O Corinthians jogou bem e precisa continuar assim - resumiu.
O empate levou o Timão aos 48 pontos, dois a menos do que o líder Vasco, que tem 50. O elenco ganhou folga nesta segunda-feira e se reapresenta na terça, às 9h30m, no CT Joaquim Grava. O próximo compromisso será apenas no domingo, às 18h (de Brasília), diante do Atlético-GO, no Pacaembu. A partida pode marcar a estreia de Adriano pelo Corinthians.

Fonte : globo.com